Ao longo de uma década, 25 associações em 17 municípios receberam tratores, aradoras e equipamentos para modernizar a produção agrícola, reduzir o tempo de trabalho e ampliar a autonomia.

Em celebração ao mês da Consciência Negra, lembrado em 20 de novembro, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) destacou um investimento robusto destinado à estruturação de atividades produtivas em comunidades remanescentes de quilombos em Alagoas. Nos últimos dez anos, o aporte da Companhia atingiu cerca de R$ 5,6 milhões.
Os recursos foram aplicados na doação de 89 bens, incluindo máquinas e equipamentos essenciais para ampliar e modernizar a produção agrícola local, como o cultivo de milho, feijão e mandioca. Vinte e cinco associações quilombolas em 17 municípios alagoanos já foram diretamente beneficiadas. A lista de equipamentos doados é vasta, incluindo tratores agrícolas, grandes aradoras, carretas agrícolas, batedeiras de cereais, sulcadores e colhedoras de forragem.
O superintendente regional da Codevasf em Alagoas, João Paulo Tavares, sublinhou que o principal objetivo é a modernização da produção para melhorar a qualidade de vida. “A modernização da produção agrícola em comunidades remanescentes de quilombo tem como objetivo dar melhores condições de trabalho e renda. Já existe uma rica produção nessas comunidades, onde a agricultura é a base da economia local,” declarou Tavares.
Ele acrescentou que a mecanização não visa apenas o aumento da produtividade: “Com esses equipamentos, o tempo médio de trabalho deve reduzir e a vida social dessas pessoas será beneficiada com mais tempo livre para atividades junto à família e à comunidade.”
Transformação no Trabalho no Campo: O Exemplo de Mumbaça
Um exemplo concreto do impacto desses investimentos é a comunidade quilombola Mumbaça, localizada na zona rural de Traipu (AL). A Associação Clube de Jovens Senhor dos Pobres, que reúne 401 associados, recebeu um trator agrícola, uma grande aradora de 16 discos e uma carreta agrícola com capacidade de 6 mil quilos. O investimento total da Codevasf nesta comunidade foi de cerca de R$ 266 mil.
Mumbaça se destaca na produção de mandioca, milho e feijão para comercialização, além de cultivar para subsistência (inhame, batata doce, melancia) e criar animais.
Para Manoel Oliveira, presidente da associação, os equipamentos trouxeram uma melhoria há muito tempo aguardada. “Lutamos por muitos anos para conseguir esses equipamentos. Hoje, o trabalho no campo melhorou bastante, como a aração de terra. Temos também melhores condições de escoamento da nossa produção. Tem locais em que um carro não consegue chegar, mas um trator já entra,” destacou Oliveira, ressaltando a importância do trator na logística e na produtividade.
De acordo com o IBGE, Alagoas possui 128 comunidades remanescentes de quilombo, totalizando 37.724 pessoas, o que coloca o estado na sexta posição nacional em número de pessoas quilombolas.
Por: Assessoria



