Passageiro que embarcou em Paulo Afonso afirma que veículo seguia viagem sem freios traseiros; PRF confirma falha na frenagem e ANTT aponta transporte clandestino.

O grave acidente envolvendo um ônibus de turismo na BR-251, no Norte de Minas Gerais, que deixou cinco pessoas mortas na noite desta quarta-feira (21), pode ter sido provocado por falhas mecânicas já percebidas durante a viagem, segundo relato de um dos sobreviventes.
O ajudante de eletricista Enthony da Silva, que embarcou em Paulo Afonso (BA), afirmou que o veículo apresentava problemas desde os primeiros dias de trajeto. De acordo com ele, a viagem já durava cerca de dois dias, e os passageiros perceberam falhas constantes no ônibus, sem que a empresa tomasse providências adequadas.
Em depoimento, Enthony relatou que o ônibus teria seguido praticamente todo o percurso sem os freios traseiros, funcionando apenas com os dianteiros. Segundo ele, a única parada para manutenção ocorreu na hora do almoço do dia anterior ao acidente, quando foram feitos apenas ajustes nos pneus.
“Já tinha dois dias que estávamos viajando e o ônibus vinha falhando. Só que eles não tiveram o comprometimento de parar o ônibus para resolver o problema. Fiquei sabendo depois que eles viajaram o caminho todo sem os freios traseiros, só com os dianteiros”, relatou.
O sobrevivente também destacou que, ao chegar na Serra de Francisco Sá, local do acidente, o ônibus perdeu completamente os freios. Ele contou ainda que a caixa de marchas apresentava barulho excessivo e funcionamento anormal, situação percebida por vários passageiros.
“Todo mundo do ônibus percebeu isso. Ficamos preocupados, mas a gente nunca pensa no pior”, afirmou.
Abalado, Enthony disse acreditar que sobreviveu por um milagre.
“Foi Deus que colocou a mão e me deu uma segunda chance de vida. Essa segunda chance eu vou abraçar”, completou.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou que houve falha no sistema de frenagem em um trecho de declive e curva da rodovia, o que contribuiu diretamente para o tombamento do ônibus. Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o veículo não possuía autorização para transporte interestadual, sendo caracterizado como clandestino.
O caso segue sendo investigado pelas autoridades competentes, enquanto familiares das vítimas cobram esclarecimentos e responsabilização diante da tragédia que chocou passageiros e cidades de origem no Nordeste.
Com informações do g1




