domingo, 15 de março de 2026

Bolsonaro está estável, mas situação é extremamente grave, diz médico

Bolsonaro deve permanecer internado por, no mínimo, sete dias. “É daí para frente”, disse o também cardiologista Leandro Echenique a jornalistas no hospital DF Star.

O médico Claudio Birolini afirmou na noite desta sexta-feira (13) que, apesar de apresentar estabilidade, o quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, é “extremamente grave”.

Segundo o cardiologista, o risco de pneumonia aspirativa, causada pelos refluxos que Bolsonaro enfrenta desde a facada que levou durante a campanha presidencial em 2018, havia sido informado em relatórios enviados ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

“Uma pneumonia aspirativa pode fazer com que a pessoa evolua com uma insuficiência respiratória, e se você não intervir, [pode fazer com que ela] morra. A gente está lidando com uma situação extremamente grave. No momento, a questão do presidente Jair Bolsonaro é estável, mas o risco de um evento potencialmente mortal, mais uma vez, surge nessas circunstâncias”, declarou Birolini.

Bolsonaro deve permanecer internado por, no mínimo, sete dias. “É daí para frente”, disse o também cardiologista Leandro Echenique a jornalistas no hospital DF Star.

Echenique afirmou que a saúde de Jair Bolsonaro, que completa 71 anos em 21 de março, “vem deteriorando aos poucos” desde a facada e piorou após a prisão na Superintendência da PF (Polícia Federal) e a transferência para a Papudinha.

“O próprio número de internações dele reflete isso. Anteriormente, era uma internação por ano. Teve ano que ele foi internado duas vezes. Estamos falando que, desde abril do ano passado até agora, é a sexta vez que ele está aqui conosco no hospital. O número de intercorrências está aumentando momento a momento”, declarou.

O médico Brasil Caiado também afirmou que “determinados ambientes são mais negativos para ele [Bolsonaro], do ponto de vista de desencadeamento de doença ou a própria complicação”. O argumento é usado pela defesa para pedir que Moraes conceda a prisão domiciliar, o que já foi negado pelo ministro.

A saída da UTI de Bolsonaro dependerá, segundo os médicos, da resposta ao tratamento, que pode ser reiniciado por ajustes na medicação. O ex-presidente está tomando dois antibióticos administrados na veia. Ele está consciente, consegue conversar e realiza fisioterapia. Não houve necessidade de intubação.

“Realmente foi uma pneumonia mais grave do que as duas anteriores que ele teve no segundo semestre do ano passado. Ele vai permanecer na UTI, e a gente não tem prazo ainda para alta da UTI. Ele vai ficar o tempo que for necessário para restabelecer os pulmões, para restabelecer a saúde”, disse Echenique.

O boletim médico divulgado pelo DF Star no início da tarde desta sexta informou que Bolsonaro apresentou febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios.

Segundo a Polícia Militar do DF, ele teve um mal-estar súbito na madrugada em sua cela na Papudinha e precisou ser atendido pela equipe médica de plantão, que entendeu ser necessária a transferência imediata para o hospital.

O ex-presidente chegou à unidade de saúde com suporte de oxigênio nasal e foi submetido a tomografia e a exames laboratoriais.

Moraes autorizou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro permaneça como acompanhante durante a internação e liberou visitas dos filhos: o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos, Jair Renan (PL-SC) e Laura. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos EUA.

Em 1º de janeiro, Jair Bolsonaro teve alta após fazer uma cirurgia de hérnia. À época, Moraes negou pedido da defesa pela prisão domiciliar.

Fonte: Folha Press

Rolar para cima