A frase que marcou o fim de semana resume o momento: “não tenho etiqueta de vende-se”.

O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), quebrou o silêncio!Após romper com o PL e acertar a filiação ao PSDB, agora abre caminho para uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A frase que marcou o fim de semana resume o momento: “não tenho etiqueta de vende-se”.
Nos bastidores, o gesto é lido como parte de um acórdão mais amplo. O preço da indicação da tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça teria sido justamente o apoio à reeleição petista. Em política, coincidência é artigo raro.
Do PL ao Planalto
A crise com o PL foi o gatilho. Destituído da presidência estadual do partido, JHC viu ruir o projeto de disputar o Senado pela legenda. A decisão veio de cima: o partido já havia fechado apoio ao deputado Alfredo Gaspar de Mendonça, alinhado ao grupo de Jair Bolsonaro e Arthur Lira.
JHC reagiu. Disse que não se submeteria às decisões de Valdemar da Costa Neto nem ao desenho imposto pelo bolsonarismo.
Na prática, rompeu. Os sinais estavam por todos os cantos. Na última visita de Lula a Maceió, durante a entrega dos apartamentos da Vila da Lagoa, JHC fez elogios públicos ao presidente. Agora, com a ida ao PSDB, o caminho para um alinhamento com o governo federal ganha força.
É pragmatismo político: perdeu espaço de um lado, testa viabilidade do outro. O objetivo continua claro: o Senado. JHC quer a vaga. Se não for ele, alguém da família. E não esconde isso.
O conflito com Arthur Lira gira exatamente nesse ponto. O deputado teria barrado sua candidatura e pressionado para que disputasse o governo do Estado.
JHC recusou. E transformou a recusa em discurso de independência. JHC comunicou internamente que deixaria o PL. Em seguida, teve a filiação confirmada pelo presidente estadual do PSDB, Teotônio Vilela Filho.
Na sequência, reuniu 11 vereadores e incentivou a migração para a nova legenda.
Reação nas redes
Se nos bastidores há cálculo, nas redes há reação. A fala de JHC e sua guinada política provocaram forte rejeição entre eleitores identificados com o bolsonarismo, que passaram a criticá-lo abertamente.
Os comentários são diretos e, em alguns casos, agressivos:
— “Perdeu a eleição.”
— “Meu voto nunca dará.”
— “Mas se ajeitou rapidinho com o Lula.”
— “Já entregou pros Calheiros.”
— “Só se vende.”
— “Sem grupo não chega a lugar nenhum. Arthur Lira ajudou muito ele na prefeitura e o JHC traidor tentou puxar o tapete do Lira tentando tirar ele da disputa do Senado por pura ganância e arrogância.”
— “Na hora de ganhar o cargo pra titia Caldas, não falou em independência.”




