quarta-feira, 10 de junho de 2026

Cerco aperta sobre caso do Iprev de Maceió após PF investigar fundo que aplicou recursos no Banco Master

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio de Janeiro para investigar possíveis irregularidades na gestão do fundo previdenciário do município de Paulista (PE), que aplicou mais de R$ 3 milhões em letras financeiras do Banco Master.

A deflagração da Operação Take Over pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (10), aumentou a pressão em torno das aplicações realizadas por regimes próprios de previdência no Banco Master e colocou ainda mais em evidência o caso do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), que destinou mais de R$ 117 milhões à instituição financeira posteriormente liquidada pelo Banco Central.

A operação cumpre mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio de Janeiro para investigar possíveis irregularidades na gestão do fundo previdenciário do município de Paulista (PE), que aplicou mais de R$ 3 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que os investimentos tenham sido realizados em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários.

Além disso, os investigadores apuram um possível esvaziamento das funções do comitê de investimentos responsável pela análise técnica e aprovação das aplicações financeiras, circunstância que, segundo a PF, pode ter comprometido os mecanismos de controle e fiscalização dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores.

A investigação busca esclarecer se houve gestão temerária ou fraudulenta, além da eventual prática de crimes contra a administração pública, contra o sistema financeiro e possível recebimento de vantagens indevidas por gestores do fundo.

Embora a operação tenha como foco o fundo previdenciário de Paulista, o avanço das investigações reforça o debate nacional sobre investimentos de regimes próprios de previdência no Banco Master. Em Maceió, o Iprev aplicou mais de R$ 117 milhões na instituição financeira, valor significativamente superior ao investigado no caso pernambucano.

Ação pede bloqueio de bens

Em meio às discussões sobre o destino desses recursos, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) ingressou na Justiça com uma ação popular pedindo o bloqueio de bens do ex-prefeito JHC, de ex-dirigentes do Iprev, do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de outros envolvidos nas operações.

A ação sustenta que os recursos pertencem ao patrimônio previdenciário dos servidores municipais e têm destinação específica para o pagamento de aposentadorias e pensões. Por isso, busca garantir o ressarcimento integral dos valores e impedir eventual dilapidação patrimonial dos investigados.

Segundo a peça judicial, a situação tornou-se ainda mais grave após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025, um dia após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, durante operação da Polícia Federal que investigou suspeitas de gestão fraudulenta e organização criminosa.

Na avaliação apresentada na ação, a liquidação da instituição financeira aumentou o risco de recuperação dos recursos aplicados pelos fundos previdenciários, tornando necessária a adoção de medidas cautelares para preservar patrimônio suficiente ao eventual ressarcimento.

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