Morte do segundo bebê em hospital comprado por JHC no período de um mês será investigada pela Polícia Civil; mãe esperou mais de 5 horas por atendimento.

No mesmo dia em que João Henrique Caldas (PSDB) apareceu em suas redes sociais diante do Hospital da Cidade fazendo piada sobre sua campanha, a família do bebê Henry, que deveria ter nascido na terça-feira (8), chorava a perda da criança e denunciava mais um caso de negligência na unidade, que resultou na morte do segundo bebê no local em cerca de um mês.
Dessa vez, a mãe da criança, que não teve seu nome revelado, chegou ao hospital de JHC com 9 meses de gestação, em trabalho de parto. De acordo com a avó da gestante, que continua internada na unidade, ela chegou no HC às 7h de terça-feira.
“Fizeram exame de toque nela, viram que a criança estava coroando. Assim mesmo, mandaram ela pra triagem e deixaram ela lá. Quando foram olhar ela pela segunda vez, ela já tava sangrando. Já tinha sangue pela sala, o chinelo dela cheio de sangue. Foram lá fazer o exame, aí correram com ela pra sala de cirurgia”, contou dona Rita de Cássia.
O caso aconteceu pouco mais de um mês depois da morte do bebê Nicolas Ravi, que nasceu prematuro na recepção do hospital de JHC no dia 3 de agosto, depois que a mãe, Morgana Lopes dos Santos, de 21 anos, esperou atendimento por mais de 5 horas. Nicolas morreu após cair no chão da recepção, quando a mãe deu à luz em uma cadeira.
A morte de Nicolas é alvo de investigação da Polícia Civil de Alagoas. A reincidência de casos semelhantes em um período tão curto de tempo gerou reações nas redes sociais, onde o hospital de JHC vem sendo chamado de “açougue” e “matadouro de bebês”.
“Isso tem que parar”
Na terça-feira, a mãe de Henry também esperou por mais de 5 horas na sala de triagem do Hospital da Cidade. A cirurgia de emergência aconteceu apenas às 12h30, quando a hemorragia na paciente se intensificou.
“O sangue que ele [Henry] engoliu não foi da placenta dela. Foi sangue que ele [o médico que fez o parto] disse que não era normal. Quando tiraram ele, eu ainda ouvi o choro dele, só o choro dele. Quando eu vi, eu sabia ali que ele não estava tendo reação nenhuma. Eu sabia, eu tinha certeza que ele estava morto já”, disse a avó paterna de Henry, que também pediu para não ser identificada.
Prima da gestante, Eliane Correia manifestou a revolta da família com a morte de Henry. “A verdade é que a gente não espera, né? A gente entra com o sonho de sair com ele no braço, não da forma que ele saiu”, afirmou a profissional autônoma.
“É muito triste pra gente, porque a gente acredita nos profissionais de nível superior e quando a gente chega no momento que a gente mais precisa deles, quando chega lá, simplesmente a gente é descartado e fica lá até o momento que realmente a gente não está mais aguentando. Isso tem que parar”, disse Eliane. O caso de Henry também será investigado pela Polícia Civil.
Em suas redes sociais, JHC parece alheio às mortes que se multiplicam na unidade de saúde comprada pelo então prefeito de Maceió em 2023, com R$ 266 milhões em recursos da Braskem, e que até hoje tem andares inteiros fechados. Em sua campanha eleitoral, o Hospital da Cidade, agora apelidado de “matadouro de bebês” de JHC, é apresentado com modelo a ser espalhado “por toda Alagoas”. Hoje, o que era para ser uma promessa de campanha assume contornos de uma verdadeira ameaça.
Por: Assessoria de Comunicação


