Após punição do TRE em tentativa fracassada de vincular nome ao candidato do PT à Presidência, JHC manda Marina Eudócia se aproximar de apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Depois do fracasso na tentativa de usar Ronaldo Lessa para iludir o eleitor de Lula e simular uma proximidade inexistente com o presidente, o candidato ao governo João Henrique Caldas (PSDB) agora atribuiu à esposa, Marina Cândia, avatar de Eudócia Caldas na disputa pelo Senado, a missão de recuperar o apoio perdido do eleitorado bolsonarista em Maceió.
Neste sábado (26), Marina Eudócia posou ao lado de dois candidatos do PL para tentar atrair os votos da direita. Escondido, assim como Eudócia, atrás de Marina, JHC tenta levar vantagem nos dois campos políticos sem nunca declarar seu voto.
O oportunismo eleitoral do tucano ficou claro na visita de Flávio Bolsonaro a Maceió, em agosto. JHC fingiu ter saído do estado para evitar um encontro. A “vergonha” de JHC quanto ao apoio do candidato bolsonarista à Presidência, declarado na visita, irritou a direita alagoana.
Em entrevista concedida no dia da visita de Flávio Bolsonaro, o deputado Cabo Bebeto, o mesmo que apareceu sorridente ao lado de Marina Eudócia na foto deste sábado, não escondeu a insatisfação.
“Ele [JHC] vai fazer o dele. Se ele quiser pedir voto, ele pede voto. Se ele quiser o apoio da gente, ele vai procurar a gente. A gente vai fazer a parte da gente. Ele vai se juntar se quiser. Ele não é criança. Ele já é adulto e ele sabe o que deve fazer”, disse o deputado. JHC foi presidente do PL, partido de Flávio Bolsonaro, em Alagoas até abril, quando abandonou a legenda para se filiar ao PSDB.
Antes da vinda de Lula a Alagoas para apoiar a candidatura do adversário, Renan Filho (MDB), ao governo do estado, JHC usou o ex-político Ronaldo Lessa para relacionar seu nome ao presidente. O ex-prefeito chegou a distribuir um panfleto com as imagens dele, de Lula e Lessa com o objetivo de confundir o eleitorado do presidente.
A tentativa foi alvo de decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), que determinou o recolhimento do material impresso e a remoção de vídeo publicado pelo ex-político. O desembargador eleitoral Rosmar Rodrigues de Alencar apontou que o material viola o artigo 45, § 6º, da Lei das Eleições.
A norma só permite que um partido use a imagem de candidato nacional na propaganda de seus candidatos regionais quando integra a coligação desse candidato no plano federal. O PSDB, partido de JHC, não faz parte da coligação presidencial de Lula. Em Alagoas, o PT integra justamente a coligação adversária, encabeçada por Renan Filho.
Na visita ao estado na quinta-feira (24), Lula ignorou JHC e se referiu ao candidato apenas em um alerta feito ao eleitor alagoano: “Nunca coloque a raposa para tomar conta do galinheiro”.
Por: Assessoria de Comunicação


