sábado, 03 de outubro de 2026

Advogada acusa OAB-AL de sofrer influência de JHC e questiona relação da entidade com Prefeitura

Em entrevista à rádio Jovem Pan News, Adriana Mangabeira afirma que críticas à atuação da Ordem e questionamentos sobre recursos públicos teriam motivado perseguição; entidade recebeu verba municipal e emenda parlamentar para reforma não realizada da sede.

Com 30 anos de formação em Direito, a advogada Adriana Mangabeira Wanderley revelou ser vítima de perseguição por parte da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL) após questionar a relação da entidade com o poder público – em especial com João Henrique Caldas, Arthur Lira e Rodrigo Cunha – e cobrar esclarecimentos sobre a aplicação de recursos públicos destinados à instituição. A declaração foi dada nesta quinta-feira (1º), durante entrevista à Jovem Pan News, em Maceió.

No caso, a profissional teve a inscrição suspensa preventivamente por até 90 dias por decisão do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-AL. A advogada, entretanto, relaciona a punição às críticas que vem fazendo à própria OAB e às relações mantidas pela instituição com agentes públicos, especialmente com o grupo político liderado pelo ex-prefeito de Maceió e candidato ao governo de Alagoas, JHC (PSDB).

Segundo aponta, um dos episódios que motivaram seus questionamentos foi a destinação de recursos públicos para a OAB-AL. Em 2024, durante a gestão de JHC, a Prefeitura de Maceió repassou R$ 280 mil à entidade para a realização de uma festa junina. No mesmo período, a OAB anunciou uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 1 milhão, destinada pelo então senador Rodrigo Cunha, para obras de recuperação da sede histórica da instituição.

A advogada afirma ter questionado especificamente a execução da verba destinada à reforma do prédio. “Eu me deparei com aquela cena que beira o abismo e a falta de caráter do presidente da OAB, Wagner Paes, bêbado, agradecendo ao prefeito de Maceió, JHC, e ao senador Rodrigo Cunha, essa emenda pix”, declarou.

O valor total de aproximadamente R$ 1,3 milhão também foi objeto de questionamento levado ao Supremo Tribunal Federal. “Emenda pix de R$ 1,3 milhão. Sendo que 1 milhão era pra reformar o prédio da OAB. Ocorre que o prédio é tombado pelo patrimônio histórico. Para passar uma mão de cal é preciso autorizado do Iplan. Eu fui no Iplan, eu requeri e tive a informação que não foi feito nenhum tipo de reforma”, acrescentou.

JHC e Braskem

No depoimento, Adriana Mangabeira também relacionou sua situação na OAB aos conflitos com o grupo político de JHC. “Hoje a OAB é uma instituição totalmente política, abraçada por João Henrique Caldas”, comentou.

“Qual o problema de João Caldas? Ele quer censurar as pessoas. Há um ano, eu estava em Brasília, e o pai dele resolveu-me processar por causas óbvias, porque eu pedi esclarecimentos onde estava o dinheiro da Braskem. João Caldas, o filho, começou a me processar todas as vezes que eu falava do acordo da Braskem”, complementou.

A atuação judicial da campanha e de partidos aliados de JHC contra veículos e profissionais de comunicação, além de candidatos e partidos políticos, tornou-se uma das questões mais discutidas da atual campanha eleitoral. Levantamentos publicados em julho e agosto identificaram dezenas de ações, muitas delas relacionadas à cobertura de assuntos envolvendo o candidato e sua gestão.

Um levantamento da Jovem Pan News, por exemplo, apontou 67 processos movimentados pela Federação PSDB/Cidadania entre maio e julho, enquanto outra contagem posterior chegou a 150 ou 183 ações envolvendo o candidato, a federação e a coligação.

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