Relatório final detalha histórico de agressões, estupro sob efeito de substância química, tentativa de abuso em hospital e intimidação após o suspeito ser solto em audiência de custódia.

A Polícia Civil de Alagoas, por meio do 32° Distrito Policial de Piranhas, concluiu o relatório final do inquérito que investiga uma série de crimes graves cometidos no âmbito da Lei Maria da Penha. O delegado Sidney Walston Tenório de Araújo indiciou A. V. P. pelos crimes de estupro de vulnerável, tentativa de estupro, lesão corporal dolosa e ameaça contra sua ex-companheira, R. S. de O. Diante da gravidade dos fatos e do risco iminente à vida da vítima, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do acusado.
De acordo com os autos, a vítima conviveu com o agressor por cerca de quatro anos, relação da qual nasceu um filho. Há dois anos separados, o homem nunca aceitou o fim do relacionamento e passou a proferir constantes ameaças de morte e violência psicológica, chegando a afirmar que mataria a criança. Mesmo com medidas protetivas de urgência deferidas pela Justiça em 2024, o investigado continuou a persegui-la.
O relatório policial detalha que, em novembro de 2025, o indiciado invadiu a residência da ex-companheira e a agrediu fisicamente. Ao ver a mulher em estado de choque, ele ofereceu água para que ela se acalmasse. Após ingerir o líquido, a vítima sentiu tontura e desmaiou.
Ao acordar na manhã seguinte, ela percebeu que estava despida e que havia sido abusada sexualmente enquanto estava inconsciente, sob efeito de dopagem. O agressor ainda filmou o ato de violência e utilizou as imagens para ameaçá-la, afirmando que divulgaria o vídeo na internet caso fosse denunciado.
No dia 4 de dezembro de 2025, por volta de 1h30 da madrugada, o acusado voltou a atacar a vítima dentro de um hospital municipal, onde o filho do casal, de apenas quatro anos, estava internado para tratar uma crise de asma. Aproveitando-se da ausência temporária de funcionários na enfermaria, o homem tentou forçá-la a ter relações sexuais. Diante da resistência da mulher, ele passou a desferir agressões físicas.
A vítima conseguiu fugir e, orientada por um advogado, formalizou a denúncia na delegacia, o que resultou na prisão em flagrante do suspeito. No entanto, ele foi posto em liberdade no dia seguinte durante a audiência de custódia.
Após ser liberado pela Justiça, a conduta do indiciado intensificou o estado de vulnerabilidade da vítima. O homem passou a publicar em redes sociais que havia provado sua inocência, incitando a população contra a ex-mulher. Além disso, ele foi até o local de trabalho da vítima e tomou posse de sua motocicleta. Diante do cerco e do medo de ser assassinada, a mulher foi obrigada a pedir demissão do emprego, abandonar sua residência e se esconder em um local incerto.
O relatório final aponta ainda que familiares e amigos do agressor iniciaram uma campanha de intimidação e ameaças contra a jovem, seu pai e as testemunhas do caso. Como elementos de prova, a Polícia Civil anexou ao processo o vídeo do estupro, fotos das lesões corporais sofridas pela vítima e os áudios com as ameaças de morte. O caso agora aguarda a manifestação do Ministério Público Estadual.
Por: Redação ITNoticias.com.br



