sexta-feira, 03 de julho de 2026

Nordeste concentra o maior risco de terremotos no Brasil; entenda os motivos

Para explicar por que a espessura da crosta é mais fina na chamada Província Borborema, nome do bloco rochoso que forma parte significativa do Nordeste brasileiro, especialistas se valem de uma metáfora.

Há um certo alívio no Brasil com a ideia de que o país está protegido de terremotos, por estar localizado no centro de uma placa tectônica, quando estes fenômenos acontecem com mais frequência em áreas de encontros de placas.

Mas há uma região brasileira mais propensa aos abalos sísmicos do que as demais: o Nordeste. Isso acontece devido a uma particularidade da crosta terrestre sob boa parte dos Estados nordestinos.

Para explicar por que a espessura da crosta é mais fina na chamada Província Borborema, nome do bloco rochoso que forma parte significativa do Nordeste brasileiro, especialistas se valem de uma metáfora: é como um queijo derretido que, puxado, vai ficando mais fininho, mais ralo no meio.

Sob o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta terrestre tem de 30 a 35 quilômetros de espessura — em alguns pontos, até menos do que isso. É mais fina do que a média mundial, que passa dos 40 quilômetros, chegando a 70 quilômetros na região do Himalaia. Na região dos oceanos, são cerca de 10 quilômetros.

Acredita-se que isso tenha origem no período Cretáceo, entre 136 milhões e 65 milhões de anos atrás. Como os blocos que formam os continentes estão em movimento sobre o manto (camada da Terra localizada entre a crosta e o núcleo), o que conhecemos como hoje como a África e a América do Sul se separaram naquela época.

Exatamente nessa região onde hoje está o Nordeste, a crosta teria se esticado um pouco mais do que o restante, em um processo de acomodação das placas.

O resultado foi esse adelgaçamento atípico. “É o chamado efeito de estiramento”, explica o engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor na Universidade de São Paulo (USP) — ele chegou a estudar a crosta da região em pesquisas que realizou na Universidade de Weimar, na Alemanha, onde realizou seu mestrado e doutorado.

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