segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Eleições 2026: quais as propostas dos candidatos ao governo para segurança pública

Os programas registrados na Justiça Eleitoral apresentam caminhos distintos. Enquanto JHC (PSDB) concentra as propostas em cinco programas, Renan Filho (MDB) prevê delegacias especializadas 24 horas e operações integradas.

Integração entre as forças de segurança, monitoramento por câmeras, contratação de policiais e mudanças na atuação das corporações estão entre as propostas dos quatro candidatos ao Governo de Alagoas para a segurança pública.

Os programas registrados na Justiça Eleitoral apresentam caminhos distintos. Enquanto JHC (PSDB) concentra as propostas em cinco programas, Renan Filho (MDB) prevê delegacias especializadas 24 horas e operações integradas.

Já Márcio Jambo (Democrata) defende a contratação de profissionais e o uso de inteligência artificial, enquanto Lenilda Luna (UP) propõe câmeras corporais e a desmilitarização da polícia.

As promessas são apresentadas em um estado que ainda mantém índices de violência acima da média nacional. Alagoas registrou 1.066 mortes violentas intencionais em 2025, contra 1.141 no ano anterior — uma redução de 6,6%.

Apesar da queda, a taxa alagoana ficou em 33,1 mortes para cada 100 mil habitantes. No Brasil, foram 19,1. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O documento também mostra que as mortes decorrentes de intervenções policiais aumentaram 54,6% em Alagoas, passando de 75, em 2024, para 116, em 2025. No mesmo período, os feminicídios subiram de 22 para 30, alta de 36,3%.

JHC propõe integração, câmeras e ações nos territórios

O plano de JHC divide as propostas para a segurança pública em cinco programas: Força Alagoas, Olho Vivo, Recomeço, Territórios da Paz e Elas sem Medo.

O Força Alagoas prevê uma parceria permanente entre o governo estadual e as prefeituras. A proposta envolve o compartilhamento de informações, a definição de protocolos regionais e a capacitação conjunta de policiais, bombeiros e guardas municipais.

O plano também prevê apoio aos municípios na aquisição de veículos, equipamentos e sistemas, além do fortalecimento da Polícia Científica e da recomposição dos efetivos das forças estaduais.

No Olho Vivo, a proposta é implantar uma rede estadual de videomonitoramento, com a integração de câmeras estaduais e municipais. A expansão começaria pelas áreas com maior incidência criminal, e as imagens seriam utilizadas no patrulhamento, nas investigações e no cumprimento de mandados.

O Recomeço reúne as propostas para o sistema prisional. O programa prevê educação, atendimento de saúde, qualificação profissional e trabalho para os presos, além de acompanhamento após a saída das unidades e monitoramento da reincidência.

Já o Territórios da Paz pretende concentrar ações policiais e serviços públicos nos bairros e municípios com maiores índices de violência letal. As áreas seriam definidas a partir de dados estatísticos e receberiam medidas nas áreas de educação, esporte, cultura, iluminação e geração de emprego.

No combate à violência contra a mulher, o Elas sem Medo prevê ampliar as delegacias especializadas no interior, inclusive com funcionamento 24 horas, além de abrigos, patrulhas de proteção e monitoramento de medidas protetivas.

Lenilda Luna defende câmeras corporais e redução da letalidade

Lenilda Luna propõe a elaboração de um plano estadual para reduzir a letalidade policial. Entre as medidas estão o uso obrigatório de câmeras corporais nos uniformes e a investigação independente das mortes provocadas por agentes do Estado.

O documento também defende que a formação policial seja orientada para a mediação de conflitos e o respeito aos direitos humanos. A candidata propõe ainda o fortalecimento da inteligência civil e a desmilitarização da polícia.

Uma mudança no modelo institucional das polícias militares, no entanto, não depende exclusivamente do governo estadual. A estrutura das corporações está prevista no artigo 144 da Constituição Federal, e uma alteração desse alcance dependeria do Congresso Nacional.

O programa inclui ainda a criação de núcleos no Agreste e no Sertão para investigar crimes raciais e de intolerância religiosa. Outra proposta é formar um comitê para prevenir episódios de violência e mediar conflitos em terras indígenas ainda não demarcadas.

Márcio Jambo prevê contratações, drones e inteligência artificial

O programa de Márcio Jambo aposta na contratação de profissionais, na modernização dos equipamentos e no uso de tecnologia.

O candidato propõe contratar novos integrantes das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. O documento, porém, não informa a modalidade das contratações, o número de profissionais nem o prazo para ampliar os efetivos.

Entre as propostas tecnológicas estão a ampliação do uso de drones, monitoramento eletrônico e inteligência artificial. O plano também apresenta o Programa Pindorama, destinado à integração tecnológica dos órgãos da segurança pública.

O candidato pretende fortalecer a Polícia Científica, ampliar a presença policial em todas as regiões do estado e reduzir, em até três anos, o estoque de inquéritos e procedimentos investigativos pendentes.

Renan Filho propõe delegacias 24 horas e cobertura aérea

O plano de Renan Filho prevê ampliar as operações conjuntas das forças policiais com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a Defesa Civil e as guardas municipais.

O candidato propõe instalar, nos polos regionais, delegacias com funcionamento 24 horas para atender mulheres, idosos e pessoas com deficiência. As unidades também funcionariam como centrais de flagrantes.

O programa apresenta ainda a criação de uma política de valorização dos profissionais da segurança pública e a ampliação da cobertura aérea no combate à criminalidade. O documento não informa quantas unidades ou aeronaves seriam incorporadas.

Para o atendimento às mulheres, o plano prevê um sistema integrado que permita acompanhar o percurso das vítimas pelos diferentes serviços públicos. Também são mencionadas ações contra a misoginia e a violência praticada no ambiente digital.

As medidas apresentadas nos programas são compromissos de campanha. A execução dependerá de orçamento, regulamentação e, em alguns casos, da articulação com municípios, União e outros órgãos públicos.

Fonte: Cada Minuto

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