Acusado de agressão pela ex-esposa, Arthur Lira conseguiu ordem para retirar inflável gigante da orla de Maceió e inserções na TV que buscavam conscientização na hora do voto.

Candidato ao Senado pelo PP, o deputado Arthur Lira acionou a Justiça Eleitoral para remover, das ruas e das redes sociais, o material de uma campanha contra a violência contra a mulher em Alagoas, encabeçada pelo movimento “Nós, Alagoanas”. Sem citar o nome de Lira, o material pede às eleitoras que, no pleito deste ano, evitem votar em candidatos envolvidos em casos de agressão contra o sexo feminino.
O pedido foi feito no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada por Arthur Lira ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) e foi inicialmente negado em decisão de primeira instância. A remoção do conteúdo foi determinada pelo corregedor eleitoral, desembargador Ivan Brito, após recurso impetrado pela defesa de Lira.
Em novembro de 2006, a então esposa de Arthur Lira, Jullyene Lins, registrou um boletim de ocorrência no qual relatou ter sido agredida pelo deputado durante 40 minutos, antes de ser estuprada. Em seu depoimento, a ex-esposa de Lira incluiu diversos episódios de violência sofridos durante duas décadas de convivência com o candidato ao Senado.
Um exame de corpo de delito realizado após a denúncia de 2006 atestou que a ex-esposa apresentava lesões e contusões decorrentes de trauma físico. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos crimes de lesão corporal e ameaça, Lira acabou sendo absolvido em em 2015 pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O motivo foi a mudança no depoimento de Jullyene Lins, que revelou, em entrevista concedida posteriormente ao Jornal Folha de S. Paulo, ter cedido a uma série de ameaças e pressões psicológicas exercidas por Lira para que recuasse em suas acusações.
Na ação contra a campanha que pedia o voto em candidatos sem histórico de violência contra a mulher, Arthur Lira solicitou a retirada de um inflável gigante instalado na orla de Maceió com os dizeres: “Eu não voto em agressor de mulheres”.
A frase também foi incorporada à campanha na TV, com as sequências: “Basta de agressores” e “É horrível isso”, buscando conscientizar a população na hora do voto. Na mesma ação, Lira pediu a remoção de outra peça intitulada “Se você é jovem, diga não a Arthur Lira”.
Por: Assessoria de Comunicação.



