JHC por toda Alagoas x Renan: fazer história de novo.

A eleição para o governo de Alagoas chega à reta final marcada por uma disputa acirrada entre dois nomes que representam trajetórias políticas e grupos distintos: João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), e Renan Filho (MDB).
Na linguagem política, chega-se ao momento de “descer o Rubicão” — expressão associada à ideia de cruzar um ponto sem retorno. A referência vem de Júlio César que, segundo a tradição histórica, atravessou o rio Rubicão com suas tropas em 49 a.C., desafiando a determinação de Roma que restringia a entrada de generais armados na Itália.
Em Alagoas, JHC parece ter transformado a metáfora em estratégia eleitoral. Ao deixar a Prefeitura de Maceió para disputar o governo estadual, o ex-prefeito ampliou sua atuação para o interior e passou a enfrentar diretamente o grupo político que controla o Palácio dos Palmares.
O embate também ultrapassa os dois candidatos. De um lado, JHC conta com o apoio de Arthur Lira, um dos principais nomes da política alagoana. Do outro, Renan Filho está associado ao grupo liderado pelo senador Renan Calheiros e pelo atual governador Paulo Dantas. A eleição para o governo, portanto, tornou-se também um capítulo da disputa entre grupos políticos que há anos disputam espaço e influência no Estado.
JHC: a aposta na mudança
JHC chega à disputa com o discurso de renovação e com a experiência acumulada na Prefeitura de Maceió. Seu principal ativo político é a imagem construída a partir da administração municipal e a capacidade de comunicação com o eleitorado, especialmente por meio das redes sociais.
Outro elemento de sua campanha é a expansão da aliança para além da capital. O desafio é transformar a força política construída em Maceió em uma votação competitiva no interior.
Entre os pontos positivos atribuídos a JHC, estão a experiência recente na administração municipal, a capacidade de mobilização política e a construção de uma aliança ampla para a disputa estadual.
Há, porém, pontos de questionamento. A oposição ao grupo governista coloca sobre sua candidatura a necessidade de apresentar propostas concretas para áreas que ultrapassam a competência municipal. Além disso, algumas afirmações feitas durante os debates foram questionadas por checagens jornalísticas. Um levantamento do BR104, por exemplo, identificou declarações verdadeiras, imprecisas e outras sem comprovação suficiente dos dois lados.
A campanha também enfrenta a questão da dependência de aliados. Segundo levantamento publicado pelo UOL, parte significativa dos recursos arrecadados pela campanha de JHC veio de partidos aliados, especialmente o PP de Arthur Lira.
Renan Filho: experiência e continuidade
Renan Filho chega ao confronto com uma trajetória diferente. Foi governador de Alagoas por dois mandatos, entre 2015 e 2022, e posteriormente ministro dos Transportes no governo federal. A experiência administrativa é um dos principais argumentos utilizados por sua campanha.
Seu grupo apresenta a candidatura sob o lema “Pra Alagoas fazer história de novo”, enfatizando continuidade administrativa e resultados de governos anteriores.
Entre os pontos positivos atribuídos a Renan Filho, estão a experiência à frente do Executivo estadual, o conhecimento da máquina pública e uma estrutura política construída ao longo de anos. A campanha também pode explorar obras e políticas implantadas durante suas gestões.
No outro lado, existe o desafio de representar a continuidade de um grupo político que está no poder estadual há anos. Para o eleitor que procura mudança, essa característica pode ser interpretada de maneira diferente daquela defendida pela campanha. Também pesa sobre a candidatura a forte polarização com o grupo de Arthur Lira.
As disputas em torno das realizações dos governos anteriores também aparecem nos debates. Checagens jornalísticas apontaram que algumas afirmações de Renan Filho exigiam ressalvas quanto à autoria ou à dimensão dos resultados apresentados.
Uma eleição que mudou de escala
O que começou como uma disputa pelo governo estadual transformou-se em um confronto de maior dimensão. A eleição envolve simultaneamente a sucessão no Palácio dos Palmares, a disputa por duas vagas ao Senado e o futuro equilíbrio de forças entre os principais grupos políticos de Alagoas.
Pesquisas recentes mostram um cenário de forte competitividade. Levantamento da Quaest divulgado em 25 de setembro apontou 43% para JHC e 41% para Renan Filho, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Já pesquisa Real Time Big Data divulgada em 25 de setembro registrou 47% para Renan Filho e 44% para JHC, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Uma pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 30 de setembro apresentou outro cenário, com JHC em 52,4% e Renan Filho em 46,3% dos votos válidos no primeiro turno. Como os levantamentos têm metodologias, datas e margens de erro próprias, seus resultados não devem ser tratados como uma fotografia única e definitiva da eleição.
O Rubicão já foi atravessado. Agora, resta esperar o veredito das urnas.



