sexta-feira, 16 de outubro de 2026

“A Fé não pode se calar diante da política”, diz Marcos Queiroz em resposta a Bruno Mafra

Comentarista político e evangélico, Marcos rebateu texto do professor Bruno Mafra.

A igreja não foi chamada para ser instrumento de partidos políticos, mas também não deve renunciar à sua responsabilidade moral diante da sociedade.

Jesus declarou: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo” (Mateus 5:13-14). A fé cristã, portanto, não se limita ao ambiente religioso; ela produz consequências na vida social, na defesa da justiça, da verdade e da dignidade humana.

Se a igreja ensina honestidade, não pode ignorar a corrupção. Se prega justiça, não deve silenciar diante das injustiças. Se defende o próximo, precisa considerar as decisões políticas que afetam a vida dos mais vulneráveis.

Orientar o voto por princípios bíblicos não significa impor candidatos, mas formar consciências. O cristão deve examinar propostas, trajetórias e atitudes, sem confundir profissão de fé com garantia de honestidade ou competência. Como ensina Paulo: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

A liderança religiosa não deve transformar preferências pessoais em mandamentos divinos, nem utilizar sua autoridade para controlar a consciência dos fiéis. Entretanto, tem a responsabilidade de ensinar as Escrituras e orientar a comunidade a avaliar a vida pública à luz de princípios éticos.

Essa orientação precisa ser coerente e imparcial: os mesmos critérios devem valer para aliados e adversários. Quando a Bíblia é utilizada para justificar uns e condenar outros conforme a conveniência política, os princípios cedem lugar ao partidarismo.

A igreja não precisa escolher o candidato pelo fiel; precisa ensinar o fiel a avaliar os candidatos à luz de princípios que não podem ser negociados por conveniência eleitoral.

O púlpito não deve ser usado para fabricar votos, mas também não deve produzir consciências desinformadas. Sua missão é formar cristãos capazes de discernir, avaliar e agir com responsabilidade diante de Deus e da sociedade.

Porque uma fé que transforma a vida precisa também produzir responsabilidade na maneira como seus seguidores participam da vida pública.

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