terça-feira, 03 de março de 2026

Fiocruz: população jovem apresenta maior risco de suicídio

“Jovens indígenas, homens na faixa entre 20 e 24 anos, apresentam uma taxa altíssima de 107,9 suicídios para cada cem mil habitantes”, dizem os pesquisadores.

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que a população jovem apresenta maior risco de suicídio, de 31,2 para cada 100 mil habitantes, acima da taxa geral da população, que é de 24,7 por 100 mil habitantes. Entre homens jovens, o risco sobe para 36,8. No entanto, é entre os indígenas que o problema é maior.

O 2º Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Saúde Mental, elaborado pela Agenda Jovem Fiocruz e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), destaca que “o suicídio é um problema de saúde sobretudo entre a juventude indígena”. Essa população tem a maior taxa de suicídios no Brasil (62,7).

“Jovens indígenas, homens na faixa entre 20 e 24 anos, apresentam uma taxa altíssima de 107,9 suicídios para cada cem mil habitantes”, dizem os pesquisadores.

O suicídio entre mulheres jovens indígenas também é mais alto do que a de mulheres de outras populações, especialmente entre as mais jovens, de 15 a 19 anos (46,2 suicídios por cem mil habitantes).

Segundo a pesquisadora da instituição, Luciane Ferrareto, questões culturais podem ser atribuídas aos altos índices entre os indígenas, além da demora por um atendimento no serviço de saúde.

“Os indígenas hoje têm muito acesso à informação, mas ainda há muito preconceito contra eles na sociedade”, disse Luciane.

O estudo descreve o perfil de internações hospitalares, mortalidade e atendimentos relacionados à saúde mental nas unidades de atenção primária à saúde (APS) de brasileiros com 15 a 29 anos, entre 2022 e 2024.

Mais internações de homens jovens

De acordo com a pesquisa, homens jovens representam 61,3% das internações por problemas de saúde mental, com uma taxa de internação de 708,4 por 100 mil habitantes, 57% mais alta que a taxa das mulheres (450). Menos da metade dos jovens que se internam por saúde mental fazem acompanhamento médico e psicológico depois do período hospitalar.

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