Título ofensivo usado por site de Santa Catarina gera revolta e pode configurar crime.

Uma postagem publicada por um site de Santa Catarina gerou forte repercussão negativa nas redes sociais ao tratar, de forma considerada preconceituosa e desrespeitosa, o grave acidente ocorrido na BR-251, em Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais, que deixou cinco pessoas mortas, entre elas uma criança.
No título da matéria, o veículo utilizou a expressão “migrantes ilegais”, sem qualquer comprovação oficial, para se referir às vítimas que estavam no ônibus. A abordagem foi amplamente criticada por internautas, jornalistas e defensores dos direitos humanos, que apontam xenofobia, estigmatização regional e desinformação.
Especialistas ressaltam que atribuir rótulos como “ilegais” a pessoas sem respaldo de autoridades pode caracterizar crime de preconceito, além de ferir princípios básicos do jornalismo, como a apuração correta, o respeito às vítimas e a responsabilidade social da informação.
A publicação ocorre em um momento de profunda dor para familiares e sobreviventes do acidente. O pai da criança que morreu na tragédia, inclusive, já havia feito um apelo público por respeito e empatia após ser surpreendido com vídeos e conteúdos sensíveis circulando nas redes sociais.
Para juristas, além da possível prática de xenofobia — crime previsto na legislação brasileira —, o uso sensacionalista da tragédia pode ensejar responsabilização civil e criminal, especialmente quando há ofensa à dignidade humana e disseminação de informações falsas.
O caso reacende o debate sobre os limites éticos da imprensa e o dever dos veículos de comunicação em informar sem ferir, julgar ou desumanizar vítimas, sobretudo em tragédias que envolvem perdas irreparáveis.
Após a repercussão negativa, o site apagou a matéria, mas até o fechamento desta, não houve retratação.



