sábado, 07 de fevereiro de 2026

Pesquisador alerta para distorções na história oficial de Pão de Açúcar às vésperas de aniversário e concurso

Livro “Jaciobá Origens” aponta erros cronológicos em sites do IBGE e Secult-AL; disparidade entre datas e reinados pode prejudicar candidatos em certame municipal.

Às vésperas de comemorar 172 anos de emancipação política e 415 anos de história no próximo dia 3 de março, o município de Pão de Açúcar, no Médio Sertão de Alagoas, enfrenta um impasse historiográfico. O pesquisador Luís Laércio Gerônimo alerta que a narrativa oficial propagada por órgãos como o IBGE, a Secretaria de Cultura de Alagoas (Secult) e a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) contém erros graves que ignoram o contexto da época, confundindo figuras reais e períodos históricos.

A principal crítica de Luís Laércio diz respeito à suposta doação das terras de Jaciobá aos povos Urumaris. Registros oficiais flutuam entre atribuir o ato a D. João IV ou a D. João VI, monarcas que reinaram com uma diferença de mais de 150 anos entre si. No entanto, o historiador esclarece que, no contexto da descoberta das terras em 1611, vigorava a União Ibérica (1580-1640), período em que Portugal estava sob o domínio dos reis Felipe, da Espanha, o que invalida a participação dos monarcas portugueses citados na fundação.

Diante da perpetuação dessas deturpações, que são replicadas de forma automática em portais governamentais, Luís Laércio publicou o livro “Jaciobá Origens”. A obra é fruto de uma minuciosa pesquisa documental e busca corrigir lacunas e resgatar personagens esquecidos pela historiografia tradicional. “Como filho dessa terra, propus-me a apontar essas distorções e contribuir para corrigi-las, retirando do papel narrativas que não possuem sustentação histórica”, afirma o autor.

A preocupação ganha contornos urgentes devido à realização de um concurso público no município. A presença de informações conflitantes em fontes que deveriam ser oficiais e seguras pode induzir candidatos ao erro em questões de conhecimentos locais. Apesar de já ter apresentado as provas das incongruências na Câmara de Vereadores em 2019 e de ter entregue um exemplar de sua obra ao atual prefeito, o pesquisador lamenta que ainda não houve uma retificação institucional da história de Pão de Açúcar.

Por: Thyara Ravelly – colaboradora do ITNoticias.com.br

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