quarta-feira, 18 de março de 2026

7 hábitos que podem reduzir o risco de câncer em até 40%, segundo a ciência

Estudos indicam que quase metade dos casos está ligada a fatores modificáveis, como tabagismo, alimentação, peso corporal e infecções preveníveis.

Quase 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças em fatores de risco modificáveis. A estimativa aparece em análises epidemiológicas amplas publicadas na revista científica CA: A Cancer Journal for Clinicians, uma das publicações médicas mais influentes na área de oncologia.

Os estudos indicam que hábitos como fumar, consumir álcool em excesso, manter alimentação inadequada ou ter obesidade estão entre os principais fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver tumores. Ao mesmo tempo, intervenções de saúde pública — como campanhas antitabagismo, vacinação e programas de rastreamento — já evitaram milhões de mortes nas últimas décadas.

Dados do National Cancer Institute mostram que, apenas entre 1975 e 2020, quase 6 milhões de mortes por câncer foram evitadas graças à prevenção, ao diagnóstico precoce e aos avanços no tratamento.

A seguir, veja sete estratégias baseadas em evidências científicas que ajudam a reduzir o risco de câncer:

  1. Não fumar (a medida mais eficaz)

O tabagismo continua sendo a principal causa evitável de câncer. Estudos indicam que ele está associado a pelo menos 17 tipos de tumores, incluindo pulmão, boca, garganta, esôfago, pâncreas e bexiga. Nos Estados Unidos, por exemplo, o cigarro é responsável por cerca de 19% de todos os casos de câncer e quase 30% das mortes pela doença. A interrupção do hábito traz benefícios rápidos: 10 anos após parar, o risco de câncer de boca, laringe e faringe pode cair pela metade.

  1. Manter o peso saudável

O excesso de peso é hoje um dos fatores de risco mais relevantes. Estimativas indicam que 7,6% dos casos da doença estão associados à obesidade. O acúmulo de gordura corporal pode aumentar a produção de hormônios como estrogênio e insulina, além de favorecer a inflamação crônica, mecanismos que explicam a relação com tumores de mama, endométrio, fígado, rim, cólon e pâncreas.

  1. Melhorar a alimentação

Padrões alimentares influenciam diretamente o risco. Dietas ricas em carnes processadas, ultraprocessados e bebidas açucaradas elevam a incidência de tumores, especialmente o colorretal. Por outro lado, o consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e oleaginosas está associado a um menor risco. Uma meta-análise de 2024 na PLOS ONE observou que o consumo frequente de peixe reduziu em 15% o risco de câncer colorretal.

  1. Praticar atividade física regularmente

Exercícios ajudam a reduzir o risco de pelo menos nove tipos de câncer, incluindo mama e cólon. Pesquisadores estimam que mais de 46 mil casos por ano seriam evitados se os níveis recomendados de atividade física fossem atingidos pela população. Além da prevenção, o exercício melhora o prognóstico de quem já enfrenta a doença.

  1. Reduzir o consumo de álcool

O álcool está associado a tumores de mama, fígado, esôfago, intestino e cavidade oral. Mesmo o consumo moderado eleva o risco, sendo responsável por cerca de 5% dos casos de câncer globalmente. A substância causa danos ao DNA e interfere no metabolismo hormonal.

  1. Vacinar-se contra vírus associados ao câncer

Infecções como o HPV são responsáveis por quase todos os casos de câncer de colo do útero e tumores de ânus e garganta. A vacinação pode quase eliminar esses riscos. Outros microrganismos perigosos incluem os vírus das hepatites B e C (fígado) e a bactéria Helicobacter pylori (estômago).

  1. Proteger-se da radiação ultravioleta

A exposição solar excessiva responde por cerca de 92% dos casos de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Queimaduras solares repetidas, especialmente na infância, elevam o risco drasticamente. O uso de protetor solar, chapéus e evitar o sol intenso são medidas fundamentais.

Prevenção e fatores sociais

Para o oncologista Stephen Stefani, as medidas exigem constância: “Nunca é tarde para começar. É preciso criar uma agenda de prática para que as pessoas incorporem essas mudanças. Quanto antes isso acontecer, maior o ganho em termos de prognóstico”.

O especialista ressalta ainda que políticas públicas de acesso a alimentos saudáveis, áreas de lazer e controle da poluição são ferramentas essenciais para reduzir a incidência da doença em larga escala.

Fonte: G1

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