sexta-feira, 27 de março de 2026

Após feminicídio de empresária pauloafonsina, Sergipe cria regras rígidas para divulgação de crimes contra a mulher

Portaria da SSP estabelece normas para evitar o “efeito contágio” e a revitimização em casos de violência de gênero; inquérito sobre a morte de Flávia Barros deve ser concluído em 30 dias.

O feminicídio da empresária Flávia Barros, ocorrido no último domingo (22) em um hotel no bairro Coroa do Meio, em Aracaju, provocou uma mudança estrutural na comunicação das forças de segurança de Sergipe. Enquanto a Polícia Civil aprofunda as diligências para encerrar o inquérito no prazo de 30 dias, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) publicou, nesta quinta-feira (26), uma portaria que impõe regras rigorosas para a divulgação de crimes contra a mulher no estado.

As novas diretrizes, publicadas no Diário Oficial, surgem como resposta à necessidade de evitar a revitimização e o chamado “efeito contágio”, quando a exposição excessiva de detalhes estimula a repetição de atos violentos. A partir de agora, delegados e agentes dependem de avaliação conjunta com as assessorias de comunicação para divulgar dados técnicos ou periciais.

As investigações sobre a morte de Flávia Barros revelam um relacionamento marcado por sinais de instabilidade. De acordo com depoimentos colhidos com amigos da vítima, o suspeito, Tiago Russo, já havia demonstrado comportamento possessivo. Em um episódio anterior em Paulo Afonso (BA), ele teria efetuado um disparo de arma de fogo para o alto por ciúmes da namorada.

Fatos apurados na dinâmica do crime:

  • Encontro e Conflito: O casal se encontrou em Aracaju na sexta-feira para uma festividade organizada pela própria Flávia. Após uma discussão iniciada durante ou logo após o evento, ambos retornaram ao hotel onde o crime foi consumado.
  • Custódia: Tiago Russo permanece em uma unidade prisional de segurança máxima em Sergipe após receber alta médica da tentativa de suicídio cometida logo após o assassinato.
  • Estratégia de Defesa: A equipe jurídica do suspeito será composta por cinco mulheres, uma estratégia que deve ser central na condução do julgamento.

O impacto do caso Flávia Barros acelerou a implementação de normas que vedam o sensacionalismo e o juízo de valor sobre as vítimas. A nova normativa da SSP estabelece que: entrevistas e postagens em redes sociais (mesmo perfis pessoais de servidores vinculados à função) devem ser previamente autorizadas pela comunicação institucional; está proibido o detalhamento minucioso da dinâmica dos crimes e a exposição desnecessária da imagem do autor; a comunicação oficial deve enfatizar a gravidade do crime, a responsabilização penal do agressor e a divulgação de canais de denúncia, como o Disque 181.

A SSP reforça que a medida visa garantir que o feminicídio seja tratado como uma grave violação de direitos humanos, sem dar palanque a criminosos ou expor a dor das famílias. Com a conclusão do inquérito de Flávia prevista para o próximo mês, a expectativa é que o caso seja um marco na aplicação dessas novas diretrizes éticas em Sergipe.

Por: Redação ITNoticias.com.br, com informações do G1

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