sábado, 19 de setembro de 2026

Entre a fé e a urna: os evangélicos na política de Alagoas

A presença de líderes religiosos nas eleições é legítima, mas a liberdade de escolha do eleitor precisa permanecer acima de qualquer influência.

As eleições em Alagoas colocam novamente em evidência a crescente participação de lideranças evangélicas na política. Entre os nomes ligados ao segmento estão Gunnar Nicácio, Pastor João Luiz e Pastora Cláudia Balbino.

A candidatura de líderes religiosos não representa, por si só, qualquer irregularidade. Pastores, pastoras e membros de diferentes religiões têm os mesmos direitos políticos que os demais cidadãos. A questão que merece atenção está nos limites entre a legítima participação da religião no debate público e o eventual uso excessivo da autoridade religiosa durante uma campanha.

Essa discussão ganha importância porque as igrejas evangélicas possuem forte presença nas comunidades populares. Em muitos bairros e municípios, especialmente entre famílias de menor renda, a igreja não representa apenas um espaço de culto. Ela também funciona como rede de convivência, solidariedade e apoio social, oferecendo aconselhamento, atividades comunitárias e, em alguns casos, auxílio material.

Essa proximidade cria relações de confiança que podem ter reflexos também na política. Não significa afirmar que exista pressão sobre os fiéis ou que candidatos religiosos estejam cometendo irregularidades. Significa reconhecer que a autoridade construída dentro de uma comunidade religiosa pode produzir influência, e que essa influência precisa ser exercida com responsabilidade.

O eleitor de baixa renda, assim como o eleitor evangélico, não pode ser visto como alguém sem autonomia. Sua condição econômica ou sua religião não diminuem sua capacidade de decidir. Ao contrário, quanto mais importante for uma rede comunitária para a vida de uma pessoa, maior deve ser o cuidado para preservar sua liberdade de escolha.

A Justiça Eleitoral já examinou situações envolvendo a utilização de estruturas religiosas em disputas eleitorais. Isso não significa que a participação de igrejas na política seja proibida ou que todo candidato religioso esteja sujeito a suspeitas. A análise depende das circunstâncias concretas e das provas de cada caso.

O ponto central é simples: fé e política podem dialogar, mas não devem transformar a consciência religiosa em obrigação eleitoral.

Um pastor ou uma pastora pode ser candidato, defender suas ideias e pedir votos. Uma igreja pode participar do debate sobre os problemas da sociedade. O que precisa ser preservado é o direito do fiel de concordar ou discordar, sem constrangimento.

Para os candidatos religiosos, existe também um desafio adicional: se eleitos, deverão representar toda a sociedade, e não somente sua comunidade de fé. Isso exige diálogo com pessoas de diferentes religiões e com aqueles que não possuem religião.

O debate, portanto, não deve ser contra a presença dos evangélicos na política. Deve ser a favor de uma democracia na qual a fé seja respeitada, a participação religiosa seja legítima e o voto continue sendo livre.

Entre o púlpito e a urna deve existir um espaço que pertence exclusivamente ao cidadão: sua consciência e sua liberdade de escolha.

Por: Assessoria de Comunicação

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